quarta-feira, 27 de abril de 2011

O mudo (3)

Aquele não era um livro qualquer. Era simplesmente o livro ditado por Adolf Hitler quando ele estava na prisão na década de 1920. E mais, era o volume II da obra. Para disfarçar, Inês achou melhor entrar na livraria e, pelo vidro da grande janela frontal, pôde observar tudo melhor. Ela não conseguia disfarçar o espanto ao ver aquela capa vermelha cuja fonte era tão peculiar. Um título com uma cor prateada que mais pareciam palavras numa curva sinuosa. É, não tinha como não reconhecer.

“O que vais querer olhar hoje, Inês?”, perguntou a simpática atendente da loja. “Hoje nada, senhora Felipa. Desculpe, mas preciso ir agora”. Claro que Inês não se concentraria em mais nada. Aquele rapaz a intrigava há bastante tempo e já estava mais do que na hora de desvendar o mistério quase intrínseco a ele. Assim, respirou fundo, abriu a porta e atravessou a rua.

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