quinta-feira, 28 de abril de 2011

O mudo (4)

Pelo caminho, deteve-se na conversa que tinha ouvido há dias por detrás da ombreira da porta, já depois de saber que afinal o rapaz mistério não era mudo. Falava entre dentes num encontro às 8 horas em ponto, na vivenda abandonada na Av. da República. “Depois, logo vemos como fazer”, atirou num zumbido quase inaudível.

Não foi preciso muito para Inês começar a dar alas à imaginação fértil que a acompanhava desde os cinco anos, altura em que começou a fantasiar como seriam os rostos humanos de Branca de Neve, da Cinderela e do Capuchinho Vermelho. A hipótese do colega de trabalho pertencer a um grupo secreto, ou pior, partilhar uma ideologia skin era cada vez mais real. Decidiu não atravessar a passadeira que a levava até ele. O próximo passo seria reunir mais informação, depois logo veria como abordá-lo.

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