O relógio marcava 19h47 quando Joaquim surgiu na boca da estação Avenida. Trajava um sobretudo negro que estendia-se até o joelho. A gola em pé mascarava metade do rosto. Seu cabelo loiro brilhava sob as luzes da Champs-Élysées lisboeta. Inês o reconheceu pelo modo de andar apressado, típico de quem está sempre numa batalha contra a louça suja. Pôs-se a segui-lo a miúdo. As ruas estavam vazias. Era um dos dias mais frios do ano.
Às 20h em ponto, o rapaz apertou a campainha. Ao ouvir o “olá” do outro lado balbuciou umas palavras sem coerência. A entrada se escancarou e Joaquim adentrou a vivenda rapidamente. Inês acelerou o passo e, com o pé direito, travou a porta antes de cerrar-se. Uma voz masculina ecoou ao fim do breu: “Sie hat auch angekommen. Erlauben Sie mir”. Inês não entendeu que ela era a principal convidada da noite.
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