sábado, 7 de maio de 2011

O último profeta (5)

M. não percebia. Aquele era um rosto do apocalipse. Mas de qual? A Terra havia sido destruída, ele e A. estavam sozinhos no Mundo e aquilo não podia ser outro sinal. Deus não seria tão cruel ao ponto de acabar de vez com o satélite que andava à deriva algures no espaço sideral.

Gritou. A. sentiu-o sobressaltado e sossegou-o. "Tiveste um pesadelo. Que se passou?". M. não sabia bem do que tinha acordado, o que se tinha passado exactamente. "O nosso filho! O nosso filho está bem?". "Claro que sim! Mas o que se passou? Com que sonhaste?". M. hesitou e anuiu em consentimento de si para si. "Nada. Aliás, nada de especial. Voltei a sonhar com o Fim. Vamos descansar". M. não voltou a descansar e manteve-se atormentado por não desvendar o rosto e o seu significado a A.

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