segunda-feira, 9 de maio de 2011

O último profeta (7)

Diz-se que os bebés são todos iguais e M. até concordaria com isso não fosse aquele rostinho enrugado e cor de rosa ser sem sombra de dúvidas a versão infantil do homem do seu sonho. M. sabia que era um profeta e que até à data todos os profetas da humanidade tinham sido seres excepcionais, mas naquele momento não podia sentir-se mais que um mero mortal aterrorizado.

A. estendeu-lhe o bebé, embevecida. M. segurou a criança nos braços e aproximou a sua cara à dele. Apesar do seu profundo estado de confusão e medo, não conseguiu evitar uma ponta de ternura – caramba, o último homem e a última mulher tinham concebido um filho, o seu filho! Encostando os lábios à sua pequena orelha perguntou: “O que é que isto quer dizer?”

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