A profecia que o último profeta poderia conceber seria a vida. Mas essa vida que o seu filho acabara de ganhar, seria, dentro em breve, solitária. A sua missão de salvar o mundo só poderia recomeçar se avistassem nova terra e se concebessem uma irmã ao recém-nascido para, através de um incesto, poder recomeçar a espécie. O recomeço, através do incesto? Através das tentativas vãs do nascimento? (Nome escorreito que se dá ao sexo.) M. decidiu não o fazer.
Conversou com A. sobre o assunto. "Fomos destinados, por Deus, para salvar o mundo, mas começo a acreditar que caímos numa armadilha. Estamos a ficar sem recursos. Temos um filho que representa a esperança, mas esta não existe. Não podemos fazer nada, a não ser esperar. Repara A., olha à tua volta, o negro domina a paisagem, espaçada por pontos de luz e astros rochosos por onde passamos." Com isto, A. percebeu tudo. O botão encarnado foi activado e o satélite precipitava-se para o fim do tempo. Enquanto os três humanos fitavam o infinito do universo (redundância matemática que no espaço não faz sentido), Deus pareceu ter surgido à frente deles, rindo-se. Ilusão colectiva, é certo, mas ilusão que durou o tempo suficiente até o último segundo. No fim, apenas uma explosão sem fogo.
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