Típica segunda-feira de outono. A manhã nublada, um chuva fina, a preguiça de levantar-se da cama e necessidade de trabalhar. Anita bebeu apenas um gole de café extra forte e saiu, como sempre, atrasada. Seu fusca 89 estava com o limpador de para-brisas sem funcionar muito bem. Ela quase abraçava o volante para dirigir. O sinal decrescente marcava seis segundos, não dava mais tempo para continuar.
O trânsito lento, a cidade alagada, o som quebrado. Ar condicionado, naturalmente, nem pensar. Só restava a Anita relaxar e observar o mar a sua direita. Pelo retrovisor, ela percebeu que o céu estava clareando. O que era cinza ficava azul e os primeiros raios de sol apontavam no horizonte do atlântico. O sinal abriu e ela continuou. Mas não por muito tempo.
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