Automaticamente lembrou-se de sua avó doente, que lutava no hospital para sobreviver ao cancro de estômago. Dona Nona sempre foi uma pessoa alegre, diziam que quando jovem parecia muito com Anita. Agora estava inconsciente e raquítica entregue à sorte do serviço público de saúde. “Preciso visitá-la, de hoje não passa”, pensou. Os carros avançaram mais um pouco. Os pingos escorriam debilmente pelo para-brisa. O fusca engasgava a cada novo arranque.
Pelo retrovisor, Anita enxergou duas crianças com sacos pretos de lixo cobrindo-os da chuva. Deviam ter seis ou sete anos, calculou. O menino vinha na frente e andava com uma pequena caixa na mão, detendo-se em todas as janelas. Tentava vender balas e chicletes aos motoristas trancafiados em seus automóveis. A menina surgiu em seguida. Tinha uma particularidade que chamou a atenção de Anita.
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